domingo, 2 de março de 2014

Prioridades.

O primeiro passo pra qualquer turbulência são as prioridades. Se tem dívidas, quando se tem dinheiro paga-se primeiro as contas prioritárias. Se tem muita roupa suja, lava-se primeiro as que mais usa. Se o dia está cheio, deixa-se de lado o que não lhe cabe. Mas e na vida como um todo? E quando existem milhares de prioridades brigando para serem escolhidas dentro do seu dia, dentro de você?

Tenho passado por essa fase de aprendizado, de escolhas. Há certo tempo tenho brigado comigo mesma pensando que minhas prioridades são supérfluas ou não correspondidas. Por exemplo, perder cabelo com a universidade, me fazendo comer e beber pensando em trabalho ou no número de faltas. Ou no namoro, quando amar e ficar doze horas abraçado parece errado, parece perda de tempo para fazer os tais trabalhos da universidade. Bobagem.

O que aprendi nesse meio tempo é que nossas prioridades são escolhidas de maneira instintiva, no impulso. O que mais te incomoda e tira o sono, ou mais te tranquiliza e tira o fôlego, foi escolhido de maneira coletiva, entre cabeça e coração, alma e 'máquina', pra te deixar mais feliz, mais completo.
Quando conclui isso, me perguntei: e se eu decidir por várias prioridades, vários momentos e afazeres que me tornem completa, um pedaço inteiro de mim?

Aproveitar o momento, se entregar na escolha, sentir a sustentável leveza em cada ação, cada gesto, cada letra escrita nos trabalhos, cada segundo das horas deitada no colchão. Se tem duas horas ou dois minutos, que sejam realmente eternos enquanto durem (citando Vinícius), que textos quilométricos e com conteúdo apareçam, que cada milímetro do rosto dele sejam gravados, que cada louça seja agraciada com detergente, que cada gota de água do banho role pelo corpo, que o caminho pra qualquer lugar seja reparado. Os celulares precisam ser deixados de lado, assim como o Facebook e os virais do Youtube. Viver o presente é a coisa mais importante de se aprender na vida, e a mais difícil de ser levada ao pé da letra.

Aquela pulga atrás da orelha, aquele 'estar de corpo presente', o olhar corrido na paisagem, as brigas efêmeras e constantes (com o outro e com você mesmo), a sensação do tempo nunca ser suficiente... podem acabar.

Se for exatamente essa a receita da paz e da excelente decisão do que é prioridade, estou a dois passos de ser feliz (ou mais feliz). Não custa tentar parar e refletir na nossa vida, ver e rever o que te trava, o que te toma tempo e nunca parece estar completo. Se suas prioridades são várias, divida melhor seu tempo e mergulhe de cabeça naquilo que decidiu fazer naquele exato momento, essa atitude te torna mais sincero consigo e com o outro.


Esse 'olhar pra dentro' me fez perceber que a vida não é o fardo que às vezes aparenta.

Um comentário:

Luciana Arruda disse...

Isso aí! Procure no Google por "O Poder do Agora" de Eckhart Tolle. Ensina como viver este agora. O melhor livro que já li.