sábado, 4 de outubro de 2014

E me perguntou:
porque falta tanto???? o que você faz quando não vai à aula, Endiara?


AH!!!! Eu vivo.
(a resposta não saiu)
Eu vivo e sofro.
Às vezes,
vivo e trabalho.
Tomo banho,
como,
leio, estudo,
em casa.

Me formo como pessoa todos os dias,
sem diploma, sem chamada,
sem avaliação medida em número.

O comprometimento me pega quando o interesse do professor é crescer ao mesmo tempo que eu, entendendo a particularidade de todos os alunos, o tempo de aprendizado de cada um deles.

A questão do pânico ainda é vista como 'preguiça', falta de força de vontade ou vergonha na cara. Quando se trata de apontar os dedos e bater no peito dizendo "EU SOU O REI DO MUNDO", a "auto rasgação de seda" triplica. Me cansa.

Tem dias que não saio de casa por medo. Não me levanto da cama porque estou ansiosa demais e às vezes eu nem sei porque. Às vezes eu sei porque e por isso saio de casa pra ver a vida, mesmo que da minha calçada. Quero ser avaliada pelo bem que causo no mundo e nas pessoas.

Que se dane minha presença ou burrice na encheção de linguiça. Que se dane aquela falta de vontade de se importar - de verdade - com o outro e seu distinto dia-a-dia. Que se dane toda aquela futilidade pra "bombar", o medo do tanto que a reclamação no Facebook fez sucesso. Não ligo pra esse sucesso. Ligo para o medo que as pessoas tem dessa fama sem nexo:

-- Algum parafuso
daí
caiu,
favor recolocá-lo
pra que seu discernimento
seja reabilitado --

Que esse pensamento persista em minha mente.
Porque é difícil acreditar no mundo
quando o tempo todo tem carniça te rodeando,
dizendo que o sucesso é inovar, fazer sucesso, se sobressair.
Para que? Para quem? Se for para o bem, amém.

Inovação em um mundo "arcaico",
pra mim,
é zero.

2 comentários:

Anuviações disse...

Acabei me lendo em seus escritos... sem parafusos, testando o equilíbrio.

Najla Brandão disse...

Texto lindo. Me vi aí várias vezes haha Parabéns s2