segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Jornacídio.

Hoje tô fazendo um trabalho gigante que envolve publicidade e propaganda. Enrolei 1 mês e meio pra começar, achando que eu só não gostava da matéria, que a época do ano não estivesse ajudando, que a falta de férias de verdade estivesse me desanimando... mas não. Depois de chorar (repito, chorar) pra tentar ler um livro de apenas 180 páginas (pra quem lia Harry Potter em 1 dia com 12 anos, é quase nada), percebi que não é a época, não sou eu, não é a matéria... é o curso e a desesperança que ele me traz.
Tenho na minha sala alguns amigos que já estão encaminhados, até os mais desanimados fazem estágio (esses são os que mais procuram encher o currículo de horas, lugares e cursos que não precisam de presença). Todo dia que entro na sala de aula, quando não mato pra ficar em casa comendo ou lendo um livro, eu me martelo pensando no quão difícil é brigar com cachorro grande, lutar por uma vaga ao invés de merecê-la. Meu desânimo é tanto, que tô encarando o curso como um desafio e como a última chance que terei de escolher uma profissão (mesmo que não exija um diploma de mim, só minha saúde, meu tempo e total dedicação).
Uma área que eu gosto na comunicação social é a de arte visual... quando consigo relacionar as artes com a poesia, me sinto ainda mais preenchida, resolvida. Mas até isso a Academia tenta tirar da gente: o direito do ócio produtivo, da inspiração espontânea. Não me dê uma pauta pra criar uma fotografia, ou uma pauta pra escrever uma matéria. Me dê tempo, me dê um dia pra viver e perceber o que precisa de retrato ou recorte.
Encontrei tanto defeito na minha vida o dia inteiro... mas olhando direito, o único defeito era o de admitir que não estou certa do que estou fazendo, nem se é isso que quero pro meu futuro, nem se tenho coragem de admitir pra mim mesma que já não aguento mais essa cidade.

Um comentário:

Ana Martins disse...

É bom saber que esse sentimento não é exclusivo (com exceção de algumas partes)