quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

CIDADE III

Sorriso vale o dia, vale o Sales,
vale o choro, vale a alegria.

Sorriso faz valer a "crise",
desmerecer a hipocrisia,
esquentar gente fria.

Sorrir tira o chão,
tira o bico, tira o atraso.

Sorrir faz estender tapetes,
fidelizar o perdão,
acalentar os corações.

O sorriso faz valer o encontro
entre desconhecidos
randomicamente
dispostos pela rua,
dispostos a ter vida.

CIDADE II

O sol estala e ainda é noite,
na cabeça mais de 24 horas.
Memória recente transbordando,
cansaço alcoolizante.
Trôpega de ideias,
finalmente se aproxima do papel
- digital.

"Aqui reinará alegria,
essa do começo desse dia.
Se vier o REM,
que dure poucas horas,
pra que eu veja dois nasceres
em uma só data"

Dormi por seis horas,
ainda há luz, sol,
pássaro pra ir embora.
Felicidade ainda ativa,
corpo descansado
que necessita comida.
Gás entusiástico,
panela colorida.

segunda-feira, 30 de novembro de 2015

CIDADE I

Vi gente sendo ajudada na madrugada de sábado pra domingo, vi gente ajudar. Vi gente acompanhar um cego por três faixas de pedestres, vi o cego sorrir. Vi gente se desentendendo e estreitando ainda mais os laços, vi gente discutir sem alterar a voz. Vi gente sendo sincera sobre o machismo naturalizado em si, vi gente mudar de postura. Vi um tanto de caixas cheias de palavras duras precisando sair de dentro da minha cabeça, vi três ou quatro irem embora. Vi o tanto de ideia boa que pode surgir do ócio, vi que posso descansar sem me culpar. Vi que posso ser quem eu quiser, vi que sempre fui outra pessoa.

É de esperança que o coração vive!


(Devia ser só amor dentro dele)
(Que as malcriações vire exceção e a gentileza predomine)

sábado, 5 de setembro de 2015

feriado mais tenso da vida
tanta burocracia papelística
que me sobraram 5 reais,
onde faltam 15 pra, se der,
desendividar da biblioteca,
pra, durante a viagem,
ler e ler e ler -
criando mais 20 reais
na pendura -
e fichar.

O ovo? Tem.
Tem arroz, feijão.
Juro que vi um pedaço lindo de bacon -
um do 5º dia útil -
grudado no gelo do freezer.
Isqueiro, gira a válvula,
sem gás.

Não desisto.
Crio discussões sobre a vida,
as chaturas em papel A4,
as crises que eu crio em cima de crises
que eu mesma criei na última crise.

Crase. A CRASEADO,
À senhora
À senhorita,
À dona, pessoa apta a - pelo amor da Deusa - dizer um sim pra mim.
Assinar.

A viagem tá aí, ó.
- oi viagem.
E a tristeza dos últimos dias e a monotonia da espera -
o cotidiano fica mecânico quando se deseja um papel -
me fazem projetar,
fazer previsões,
ensaiar uma conversa sobre o bendito papel no espelho.
Me fazer deixar de ser.

Tô na escuta, comandante.
Esperando louca/mente que
seja positivo,
operante,
amém.

quarta-feira, 1 de julho de 2015

fui atrás.


não deu.

de novo. não deu.
mais uma vez.
e
não deu.

a paz parece fugir - de mim
parece rir - de mim

eu soluço, ela gargalha.
me desidrato, ela transborda

eu sou nada.
infelicidade sozinha.
abusada, reabusada, tribusada.

asas, pra onde?
precipício raso,
nem pra isso serve.

acho
a paz só chega com a morte.
mas ela foge.

quarta-feira, 24 de junho de 2015

existência

existir é pouco.
o que é a carne,
o que é o corpo?

nas relações,
o que sou eu,
quem são vocês?

me vejo como um monte de merda cagada,
reproduzida, fofocada.
me vejo como um estorvo,
uma faladeira de sentimento meu,
e mau.

hoje é aniversário de uma alma que eu amo,
mas é aniversário de um dia que eu odeio.

então o que são os dias,
os significados,
a existência?

seria um apanhado de coisas, lembranças,
teorias, conflitos, opressões, blablazismos,
lágrima, solidão e vontade de partir?

que comece a contagem regressiva que eu sempre quis.
me faltava coragem. hoje sobra, junto com a bagagem.

segunda-feira, 22 de junho de 2015

Essa novela mexicana é MINHA vida? Desde quando? Porque?
Está feito. Só percebi agora mas, sim, é minha.
O gradissíssimo problema é que não me importo mais.
Viva, morta, vida, morte.
É tudo tão palpável, são saídas (tão) distintamente corajosas!
(insignificância)

Que não seja mais um fogo no cu da minha parte,
ou que o inferno terreno dure menos de um ano.

Há quanto tempo me sinto infeliz?
Há jeito de parar?
(insignificância)

Se disser que preciso focar na alegria,
te soco a cara e o peito.

Tô viva, e as contas chegam.
Tô viva e os abusos não param.
Tô viva e parece que vivo em terceira pessoa.
Tô viva e ver o mundo me deixando pra trás
enquanto eu sento nessa cama e escrevo,
e surto, e choro, e bebo,
é tirar de mim o resto do foguinho
que Galeano disse.

Incapacidade de ser feliz.
Incapacidade de ver alegria.
Incapacidade de receber felicidade.
Incapacidade de não oscilar.
Insignificância.

Poque, mundo, só viver é tão impuro?

à minha volta,
uma zona, uma batalha, uma gritaria.
no meu peito, muitas vezes,
a paz por poder ir embora,
sem choro, nem vela,
nem foto, nem lamento.
Insignificância.