terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Sensações do espaço

Sentir a mesmice de cada dia,
o cheiro do tédio,
o vento da hora acelerada,
a luz da hora paradinha,
as pessoas passando,
o que estão pensando,
pra onde estão indo,
qual a primeira coisa que viram quando já de pé.
Perceber o espaço,
se o escolhi é porque vale,
mesmo que seja pausa pro palheiro,
ou a espera do ônibus.
Tratar a rotina chata sorrindo,
porque a rotina na real, não é rotina,
é sempre um dia esperando pra ser sentido.

Sensações.
Há muito tempo não sentia, não parava, não precisava.
Hoje, parece ordem, inconsciente comando,
que valoriza cada segundo,
te faz perceber que existem vários eu's esperando um minuto de voyeur,
te faz sentir percebida, escolhida "praquele" momento.

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Jornacídio.

Hoje tô fazendo um trabalho gigante que envolve publicidade e propaganda. Enrolei 1 mês e meio pra começar, achando que eu só não gostava da matéria, que a época do ano não estivesse ajudando, que a falta de férias de verdade estivesse me desanimando... mas não. Depois de chorar (repito, chorar) pra tentar ler um livro de apenas 180 páginas (pra quem lia Harry Potter em 1 dia com 12 anos, é quase nada), percebi que não é a época, não sou eu, não é a matéria... é o curso e a desesperança que ele me traz.
Tenho na minha sala alguns amigos que já estão encaminhados, até os mais desanimados fazem estágio (esses são os que mais procuram encher o currículo de horas, lugares e cursos que não precisam de presença). Todo dia que entro na sala de aula, quando não mato pra ficar em casa comendo ou lendo um livro, eu me martelo pensando no quão difícil é brigar com cachorro grande, lutar por uma vaga ao invés de merecê-la. Meu desânimo é tanto, que tô encarando o curso como um desafio e como a última chance que terei de escolher uma profissão (mesmo que não exija um diploma de mim, só minha saúde, meu tempo e total dedicação).
Uma área que eu gosto na comunicação social é a de arte visual... quando consigo relacionar as artes com a poesia, me sinto ainda mais preenchida, resolvida. Mas até isso a Academia tenta tirar da gente: o direito do ócio produtivo, da inspiração espontânea. Não me dê uma pauta pra criar uma fotografia, ou uma pauta pra escrever uma matéria. Me dê tempo, me dê um dia pra viver e perceber o que precisa de retrato ou recorte.
Encontrei tanto defeito na minha vida o dia inteiro... mas olhando direito, o único defeito era o de admitir que não estou certa do que estou fazendo, nem se é isso que quero pro meu futuro, nem se tenho coragem de admitir pra mim mesma que já não aguento mais essa cidade.
Mão que age, tapa a boca do amor,
depois aponta o erro e a falta.
Confesso que chorei,
ainda mais quando me culpou de tê-lo feito.

Mas me desculpa, amor,
já não há ácido que corroa esse estômago,
nem mágoa que me seque as estranhas,
só a desistência de ser essa via.

Minha mão única se faz agir em letrinhas.
Tua mão anda me apontando tanto,
que te colocas na redoma do nosso amor,
sozinho, cercado de vidro, sempre à mostra.

Fico tão frágil e descrente em mim,
que desafio nosso lance durar.
Poesia concreta, direta, reta.
Não sobre amor, mas sobre mim.

Compenso em palavras ambíguas
as frases mal interpretadas por você.
Quando digo que você me faz falta
não critico, peço de volta.

Não sei como acabar a conversa,
não sei como começar uma conversa.
Acho que precisas de tempo,
se eu que te amo não mereço tua prova,
aprovação, teu carinho,
quem merece?


quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Poema musicado, de mim pro namorado.

O som tá na minha cabeça,
melodia doce e grave,
abres a boca e ela começa,
impossível mais suave.

Omiti palavras feias,
te doeu! o que me espancou,
pedi desculpa até pelas veias,
mas de nada adiantou.

O tempo é mais doce que sua música,
mais suave que seu toque em mim.
Não sei como me atura,
sei que sempre eu tô afim.

Enquanto não te cansas,
não desisto de te ver,
deliro quando me trança,
com teus braços de prazer.

Te amo.

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Cansada, vou dormir.
Já li e reli, certeza concretizada amanhã.
Aperto no peito, lágrima seca no canto do olho inchado.
Sono e crise se misturam, extrapolam.
Meu coração, frito pela oscilação,
se lembra dos cabelos vermelhos.
Um dia no peito dele, todo dia no dela,
sinto um amargo na boca ao imaginar.

Que esse sono me espanque,
que essa dor se transforme em paz,
que seja logo, que seja sincero,
mesmo que seja sozinha.

Cansada, deliro ter dito tudo.
Mas quando releio, lembro dos parênteses.
Queria ouvir a entonação, mesmo que do seu batimento.
Sono e crise se misturam, extrapolam.
Meu coração, frito pela ansiedade,
se lembra dos cabelos castanhos.
Um dia no meu peito, todo dia no dele,
sinto o doce da sua boca ao recordar.

Que esse sono me espanque,
que essa dor se transforme em paz,
que seja logo, que seja sincero,
mesmo que seja sozinha.

Cansada, publico e durmo.

domingo, 19 de janeiro de 2014

Reflexo do microondas

Desencadeado o pensamento está.
Fala pro espelho, se vê, se ouve falando,
dicção, pulmão inflado.

Hoje é dia de se olhar.
Colocar pra fora o passado que engoliu,
com ombro caído, olho inchado.

Descobri o que eu sentia
falando a mentira que eu ensaiei pro mundo.
Me pareceu tão vulgar, tão fraco.

Meu cérebro pediu a verdade,
e a verdade foi tão grande, tão intensa,
que eu chorei com a alma, com o corpo.

Uma espécie de passagem do tempo,
de constatação, de me reafirmar digna do passado,
e honrada de ter sido capaz de escapar do sufoco.

Um desabafo atropelado por palavras,
terminado por um desmaio gramatical,
cheio de arrepio e esperança.

Troquei meu ponto de vista,
vi que o erro não foi o que fiz,
mas como isso me fez me sentir sozinha.

É uma solidão que não existe hoje,
mas que eu berrava, pra quem quisesse,
que ela era latente, até então...

Queria sempre me sentir amada
por achar que estive sempre sozinha.
Mas a solidão não existe.
A dificuldade que você tem colocado em deixar nossos dias mais simples,
e a facilidade de me culpar por movimentos que calculei mil vezes pra não errar,
têm me feito perder a vontade de continuar o esforço que é, todo dia, me por para fora.