sábado, 5 de setembro de 2015

feriado mais tenso da vida
tanta burocracia papelística
que me sobraram 5 reais,
onde faltam 15 pra, se der,
desendividar da biblioteca,
pra, durante a viagem,
ler e ler e ler -
criando mais 20 reais
na pendura -
e fichar.

O ovo? Tem.
Tem arroz, feijão.
Juro que vi um pedaço lindo de bacon -
um do 5º dia útil -
grudado no gelo do freezer.
Isqueiro, gira a válvula,
sem gás.

Não desisto.
Crio discussões sobre a vida,
as chaturas em papel A4,
as crises que eu crio em cima de crises
que eu mesma criei na última crise.

Crase. A CRASEADO,
À senhora
À senhorita,
À dona, pessoa apta a - pelo amor da Deusa - dizer um sim pra mim.
Assinar.

A viagem tá aí, ó.
- oi viagem.
E a tristeza dos últimos dias e a monotonia da espera -
o cotidiano fica mecânico quando se deseja um papel -
me fazem projetar,
fazer previsões,
ensaiar uma conversa sobre o bendito papel no espelho.
Me fazer deixar de ser.

Tô na escuta, comandante.
Esperando louca/mente que
seja positivo,
operante,
amém.

quarta-feira, 1 de julho de 2015

fui atrás.


não deu.

de novo. não deu.
mais uma vez.
e
não deu.

a paz parece fugir - de mim
parece rir - de mim

eu soluço, ela gargalha.
me desidrato, ela transborda

eu sou nada.
infelicidade sozinha.
abusada, reabusada, tribusada.

asas, pra onde?
precipício raso,
nem pra isso serve.

acho
a paz só chega com a morte.
mas ela foge.

quarta-feira, 24 de junho de 2015

existência

existir é pouco.
o que é a carne,
o que é o corpo?

nas relações,
o que sou eu,
quem são vocês?

me vejo como um monte de merda cagada,
reproduzida, fofocada.
me vejo como um estorvo,
uma faladeira de sentimento meu,
e mau.

hoje é aniversário de uma alma que eu amo,
mas é aniversário de um dia que eu odeio.

então o que são os dias,
os significados,
a existência?

seria um apanhado de coisas, lembranças,
teorias, conflitos, opressões, blablazismos,
lágrima, solidão e vontade de partir?

que comece a contagem regressiva que eu sempre quis.
me faltava coragem. hoje sobra, junto com a bagagem.

segunda-feira, 22 de junho de 2015

Essa novela mexicana é MINHA vida? Desde quando? Porque?
Está feito. Só percebi agora mas, sim, é minha.
O gradissíssimo problema é que não me importo mais.
Viva, morta, vida, morte.
É tudo tão palpável, são saídas (tão) distintamente corajosas!
(insignificância)

Que não seja mais um fogo no cu da minha parte,
ou que o inferno terreno dure menos de um ano.

Há quanto tempo me sinto infeliz?
Há jeito de parar?
(insignificância)

Se disser que preciso focar na alegria,
te soco a cara e o peito.

Tô viva, e as contas chegam.
Tô viva e os abusos não param.
Tô viva e parece que vivo em terceira pessoa.
Tô viva e ver o mundo me deixando pra trás
enquanto eu sento nessa cama e escrevo,
e surto, e choro, e bebo,
é tirar de mim o resto do foguinho
que Galeano disse.

Incapacidade de ser feliz.
Incapacidade de ver alegria.
Incapacidade de receber felicidade.
Incapacidade de não oscilar.
Insignificância.

Poque, mundo, só viver é tão impuro?

à minha volta,
uma zona, uma batalha, uma gritaria.
no meu peito, muitas vezes,
a paz por poder ir embora,
sem choro, nem vela,
nem foto, nem lamento.
Insignificância.

segunda-feira, 27 de abril de 2015

Sinto que não superei sua partida,
a dos outros,
e a ideia latejante da minha.

Passo todo o tempo contando...
sejam histórias, horas,
vacilos. Conto, anoto, rasgo.

É como se nenhuma esperança
existisse.
Como se "pra quê fazer planos",
se a vida é só essa e a minha é só isso.

Tantas vírgulas na semana passada,
tanta dúvida e medo de por em prática.
"Não é possível que eu dê conta".

Meu coração já não é mais o mesmo.
Não cabe mais um,
nem mais angústia.

É mesmo uma bomba relógio,
um termômetro das coisas que me abalam.

Hoje ele acordou acelerado...
e eu, triste.

sexta-feira, 10 de abril de 2015

Estou tremendo.
Antes fosse no sentido figurado.
Estou tremendo de medo dos zeros.
Estou com medo da voz de quem dará o veredicto.
Estou sofrendo por antecipação,
Estou perdendo o tempo dos abraços,
Carinho, chocolate, amor.
Estou adiantando a péssima sensação.

Não consigo dormir,
Não consigo aproveitar a geladeira
E despensa cheias.
Não consegui passear,
Jogar conversa fora.
Não consegui perder as olheiras,
As cultivei como filhas.

Não sei como acabar este.
É só um desabafo torto,
Cheio de medo e solidão.

quinta-feira, 9 de abril de 2015

Crise silenciosa de hoje

E o se sentir inútil chegou.
Agora na casa dos pais.

Tava demorando pra noite se tornar aquela tortura dentro de mim,
Onde as aflições do dia, do mundo, caem sobre meu coração,
E minha cabeça acelera, e eu me sinto o eixo da Terra.

Uma bosta isso.

Reclamar pra quem?
Todo mundo vai me achar mesquinha,
E isso é sim um sentimento egoísta,
Ridículo, vazio de razão.

Uma bosta de pensamento.

A vergonha de se sentir egocêntrica,
O cansaço de se sentir doida,
A pressão se sentindo abusada.

Questão de vida ou morte.
Tudo vira abismo, exagero,
Crise.
Crise.
Crise.

Palavra idiota
E de fácil apoio.

Aceito novas ideias pra taxar esse desconforto,
Qualquer palavra que não comece com cri,
Nem termine com se.